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18 setembro 2025

Angélica: para que serve, benefícios, como usar e cuidados


Planta angélica Angelica archangelica em crescimento no jardim

A angélica (Angelica archangelica) é uma das plantas medicinais mais tradicionais da fitoterapia europeia. Conhecida como erva-do-espírito-santo ou raiz dos anjos, ela é usada há séculos para melhorar a digestão, aliviar gases e cólicas, auxiliar o sistema respiratório e promover uma sensação natural de calma.

Imponente e aromática, essa planta pode ultrapassar dois metros de altura e exala um perfume inconfundível — doce, herbáceo e levemente picante. Seu sabor quente e amargo revela a potência terapêutica que a tornou uma aliada valiosa tanto na medicina tradicional quanto na culinária.

O que é a Angélica?

A Angelica archangelica é uma planta bienal da família Apiaceae, a mesma do funcho e da cenoura. É nativa de regiões frias e temperadas do Hemisfério Norte, especialmente Escandinávia, Rússia, Islândia e Alpes europeus.

Ela completa seu ciclo em dois anos:

  • 1º ano: desenvolvimento das folhas e da raiz medicinal
  • 2º ano: floração, produção de sementes e encerramento do ciclo

As partes mais utilizadas são a raiz, as sementes e, em menor grau, as folhas.

História e uso tradicional da Angélica

O nome archangelica está ligado a uma antiga lenda medieval: a planta teria sido revelada em sonho pelo arcanjo Rafael como proteção contra a peste. Por isso, ganhou fama como planta protetora e espiritual.

Na Europa Medieval, a angélica fazia parte do famoso Vinagre dos Quatro Ladrões, utilizado durante epidemias. Já nos países nórdicos, seus talos eram cristalizados em açúcar, e suas raízes e sementes passaram a aromatizar bebidas como gin, licores e amargos digestivos.

Apesar de existir uma espécie muito conhecida na medicina chinesa (Angelica sinensis – Dang Gui), a Angelica archangelica ocupa um papel próprio e distinto na tradição ocidental.

Propriedades medicinais da Angélica

Os efeitos terapêuticos da angélica vêm da combinação de compostos bioativos presentes principalmente na raiz:

  • Furanocumarinas (angelicina, bergapteno)
  • Óleos essenciais (alfa-pineno, beta-felandreno)
  • Cumarinas
  • Ácidos fenólicos

Essa sinergia confere à planta ações digestivas, carminativas, antiespasmódicas, expectorantes e levemente calmantes.

Benefícios da Angélica para a saúde

Melhora da digestão

A angélica estimula suavemente a produção de sucos gástricos e bile, facilitando a digestão de refeições pesadas. É muito utilizada para:

  • Má digestão
  • Sensação de estufamento
  • Gases intestinais
  • Cólicas leves

Apoio ao sistema respiratório

Graças à sua ação expectorante, auxilia na eliminação de secreções, sendo tradicionalmente usada em casos de:

  • Tosse produtiva
  • Resfriados
  • Bronquite leve

Calma e equilíbrio nervoso

A angélica atua como um calmante suave, ajudando a reduzir tensão, nervosismo e ansiedade leve — especialmente quando associados a desconfortos digestivos.

Ação antioxidante e anti-inflamatória

Seus compostos fenólicos auxiliam no combate ao estresse oxidativo, contribuindo para a saúde geral do organismo.

Como usar a Angélica com segurança

Chá de Angélica (raiz seca)

A forma mais comum e segura de uso doméstico é o chá por decocção.

Como preparar:

  • Use 1 colher de chá (2–3 g) de raiz seca para 250 ml de água
  • Coloque a raiz na água fria e leve ao fogo
  • Após ferver, cozinhe em fogo baixo por 10 a 15 minutos
  • Desligue, tampe e deixe repousar por 5 minutos
  • Coe e beba morno

Dose usual: até 3 xícaras ao dia, preferencialmente após as refeições.

Outras formas de uso

  • Tintura: 1 a 2 ml, 2 a 3 vezes ao dia (seguir orientação profissional)
  • Óleo infusionado (uso externo): massagens para tensão muscular
  • Culinária: talos cristalizados; sementes para aromatizar pães, bolos e bebidas

Atenção: óleos infusionados caseiros não devem ser ingeridos.

Combinações sinérgicas

A angélica pode ser associada a outras plantas medicinais:

Para digestão:

  • Hortelã-pimenta
  • Gengibre
  • Funcho

Para relaxamento:

  • Camomila
  • Erva-cidreira
  • Lúpulo

Precauções e contraindicações

Esta é uma planta potente e exige cuidado.

 Não usar em:

  • Gravidez (pode estimular o útero)
  • Amamentação sem orientação profissional

Interações medicamentosas:

  • Anticoagulantes (ex.: varfarina)
  • Medicamentos fotossensibilizantes

Fotossensibilidade: as furanocumarinas podem causar reações graves ao sol. Evite exposição solar por pelo menos 24 horas após o uso, principalmente tópico.

Uso contínuo: não utilizar por mais de 2 a 3 semanas seguidas sem orientação profissional.

Como cultivar Angélica em casa

  • Clima: frio a temperado
  • Solo: rico em matéria orgânica, profundo e úmido
  • Luz: meia-sombra ou sol pleno em regiões frias
  • Rega: solo sempre úmido, sem encharcar
  • Plantio: por sementes (viabilidade curta)

A semeadura é ideal no outono ou início da primavera, pois as sementes precisam de frio para germinar.

Conclusão

A Angelica archangelica é um verdadeiro tesouro da fitoterapia tradicional. Seus benefícios para a digestão, o sistema respiratório e o equilíbrio emocional fazem dela uma aliada valiosa quando usada com responsabilidade.

Seu aroma marcante, história rica e efeitos terapêuticos comprovados explicam por que essa planta atravessou séculos sendo respeitada como remédio, alimento e símbolo de proteção.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e educativo. Plantas medicinais não substituem diagnóstico ou tratamento médico. Sempre consulte um profissional de saúde antes de iniciar qualquer uso terapêutico.



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